Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 697 - 08/2009
Região 5 - Saguaçú, Bom Retiro e Santo Antônio
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Despejo de efluente industrial é “desfrutado” pelo jacaré Fritz


Jacaré Fritz dorme imerso em águas quentes, fétidas e coloridas despejadas
pela Cia. Fabril Lepper no Rio Cachoeira, no centro da cidade

         O Cachoeira ainda é um rio multicolorido. Especialmente na região central próxima a saída de esgoto onde a centenária industrial têxtil Cia Fabril Lepper descarta constantemente resíduos de sua estação de tratamento. A rotina de denúncias contra empresas que jogam seus efluentes no castigado rio revelou um fato inusitado no caso amplamente noticiado no início deste mês: o mais ilustre morador, o jacaré Fritz, dormia na saída do esgoto que despejava grande volume de líquido fétido, colorido e quente. As imagens surpreendentes ainda podem ser vistas nos vídeos da internet no sítio www.institutocachoeira.org.br.
        Segundo a bióloga e sócia do Instituto Viva o Cachoeira (IVC), Daniela Lima, os jacarés são animais pecilotérmicos. “Sua temperatura varia de acordo com a do meio ambiente; nestes dias de frio ele estava usando o despejo para se aquecer”. Ambrósio Teodoro, 43 anos, fazia sua caminhada matinal e parou para acompanhar a coleta de amostras do líquido pelos fiscais da Fundema: “Como é possível que continuem jogando tanto veneno nesse rio. Coitado do jacaré!”, exclamou, surpreso com a cena curiosa do irracional animal “desfrutando” o aquecimento das águas descartadas pela indústria têxtil.
        Os jacarés são répteis de enorme resistência às intempéries e agressões ambientais. Eles já habitavam o planeta com os dinossauros e outros animais que não sobreviveram a catástrofes que dizimaram milhares de espécies. A prova da sua resistência é mais uma vez confirmada em Joinville, SC. O Fritz vive no Rio Cachoeira, um dos mais poluídos do país, há mais de dez anos. 

IVC quer a substituição gradativa das figueiras por outras árvores que recuperem a biodiversidade do Rio Cachoeira
       
Na recente audiência pública promovida pela prefeitura para decidir sobre o futuro das árvores exóticas Ficus benjamina plantadas doze anos atrás às margens do Rio Cachoeira, o Instituto Viva o Cachoeira (IVC) defendeu a substituição gradativa por outras espécies – discurso que a ONG pratica desde a sua fundação, em agosto de 2008. O IVC protocolou documento se posicionando contra qualquer obra de contenção das margens do rio que não seja com vegetação e ainda pede a retirada do muro de concreto em frente à prefeitura: “Não concordamos com qualquer intervenção artificial de urbanização, modificação, contenção de margens etc, que não seja natural ou ecologicamente correta. Somos contra a continuação da construção do Bulevar da forma como já está parcialmente construído com placas que substituíram solo e vegetação por concreto, e desejamos a remoção da ambientalmente criminosa obra pública já praticada”.

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