Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 699 - 08/2009
Região 13 - Petrópolis, Boemerwald e Parque Guarani
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

Geral

Instituto Viva o Cachoeira completa um ano com intervenção popular no rio mais poluído da região


        Ambientalistas aguardam decisão da Fundema sobre a comprovada denúncia de crime ambiental praticada pela centenária indústria têxtil Cia Fabril Lepper



Poluição não, flores sim - Manifestantes posam com flores às mãos que depois foram lançadas nas poluídas águas do rio Cachoeira


            No início da noite do domingo, 23 de agosto, oito policiais militares se deslocaram ao centro da cidade em frente à prefeitura. Não era nenhum protesto contra o prefeito. Um veículo batedor e mais seis policiais de bicicleta protegiam 73 pessoas num ato simbólico de afeição ao rio mais maltratado da região de Joinville. Eram sócios do Instituto Viva o Cachoeira – IVC, da ONG Ambiverde, da UNIPAZ , membros de grupos de escoteiros e populares. Ambientalistas e crianças caminharam às margens do rio no centro da cidade e lançaram flores nas suas águas escuras e fétidas. O ato marcou o primeiro aniversário do IVC que no início do mês de agosto denunciou a Cia Fabril Lepper em flagrante despejo industrial de contaminantes. A denúncia teve grande repercussão pelo comprovado crime ambiental de acordo com a Fundema que aguarda posição oficial da empresa para decidir sobre o seu futuro. Os ambientalistas acompanham o desenrolar da denúncia. Enquanto isso realizam diversos eventos para sensibilizar os joinvilenses.



No primeiro plano líderes da UNIPAZ, no segundo, da ONG Ambiverde na Caminhada comemorativa ao primeiro aniversário do IVC

 

O cronograma da denúncia contra a Cia Fabril Lepper


            Na manhã de 4 de agosto, às 8h, sócios do IVC avistam o jacaré Fritz imerso em águas azuis e verdes, fétidas e aquecidas na saída de esgoto que vem da centenária indústria têxtil Cia Fabril Lepper às margens do Rio Cachoeira.


Jacaré Fritz se aquece na água contaminada despejada pela Cia Fabril Lepper no rio Cachoeira

 

            O IVC denuncia o fato a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema) e às 9h30 seus técnicos coletam água na saída do esgoto industrial e também na estação de tratamento da Cia Fabril Lepper (Ver o vídeo da coleta no rio na internet no sítio www.institutocachoeira.org.br).
            Sócios do IVC ficam no local até às 11h30 concedendo entrevistas para diversos veículos de comunicação de Joinville e do estado. Até aquele horário ninguém da Cia Fabril Lepper fizera coleta de água no rio Cachoeira que já não apresentava mais as cores verde e azul do início da manhã.
            Noticiários de TV do meio dia e da noite divulgam amplamente a denúncia com imagens do jacaré Fritz imerso na contaminação industrial dentro do rio Cachoeira no centro da cidade.
            Jornais impressos do dia 5 destacam a denúncia do IVC com enorme repercussão nas rádios locais e estaduais.
            No dia 13 de agosto a prefeitura divulga laudo da análise da água feita por laboratório especializado e confirma o despejo de líquidos poluentes vindos da Cia Fabril Lepper.
            Jornais destacam o resultado das análises no dia 14 confirmando a poluição com enorme repercussão nas rádios e noticiários de televisão. Na edição do Jornal A Notícia, além da ampla cobertura, o veículo emite opinião sobre o caso com a manchete: Descaso Ambiental.

 

 “Joinville, às vezes parece que quase se acostumou com a poluição do rio Cachoeira. Infelizmente.
No centro da cidade, exposta, a prova do descaso ambiental de décadas. Para alguns, sujo ou limpo, não faz mais diferença, não é mais novidade, nem seria mais notícia. Mas, não é assim, nem pode ser.
Ainda há vida no rio. Os animais já se adaptaram. Mas ver o Fritz em águas tingidas não é – e nem pode ser – algo banal. O Cachoeira está poluído. E é preciso voltar a enxergá-lo. E salvá-lo.
O atual grau de poluição não justifica que a cidade continue despejando nas águas o seu lixo. A situação é grave, sim, mas não precisa – e nem deve – piorar
.”

Opinião da editora executiva Graziela Lindner publicado no AN


 

            No dia 15 a Cia Fabril Lepper publica nota em jornal informando que também coletara amostras da água e que os resultados eram diferentes dos divulgados oficialmente pela Fundema. Afirmava que os dejetos despejados no rio Cachoeira e também coletados por ela na manhã do dia 4 de agosto atendiam todos os parâmetros da lei.
            Nos dias 15, a tarde e 16 durante todo o dia (sábado e domingo) loja no início da rua Princesa Izabel, que vendia principalmente produtos da Lepper, é completamente demolida para surpresa dos joinvilenses que encontraram o terreno vazio na segunda-feira.
           


M
áquinas fazem no fim de semana a demolição de prédio que vendia produtos da Cia Fabril Lepper


            No dia 17 a Cia Fabril Lepper enviou documento à Fundema relatando divergências entre os resultados dos laudos. A empresa solicitou prazo de 15 dias para novas análises.
            Os sócios do IVC aguardam o desfecho do caso junto ao órgão fiscalizador ambiental. Àqueles que acreditam estar morto o rio Cachoeira, os ambientalistas recomendam que acessem vídeos e fotos feitos nos últimos dois anos e acessíveis na internet no
www.flickr.com/photos/institutovivaocachoeira.
 

Cinquenta espécies de animais vivem no rio Cachoeira

            O IVC publicou na internet a “Lista de fauna associada ao rio Cachoeira”. A pesquisa está sendo realizada pelo biólogo e sócio fundador da entidade ambientalista Alexandre Venson Grose e disponível no sítio WWW.institutocachoeira.org.br. “Tem 50 espécies de aves, mamíferos e répteis, mas essa biodiversidade pode aumentar se recuperarmos ambientalmente o rio”, diz o ambientalista.


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